Nesta última semana em que veio à tona mais um espetáculo circense de corrupção, alguns voltaram a elevar vozes contra a política e as práticas assistencialistas do Governo Federal.
A
É claro que alguma parcela da "classe média couro duro" milita intelectualmente naquele campo da filosofia política que justifica a criação de cercas de arame farpado, muros e guetos (no nosso caso, favelas) separando os "ricos" dos "pobres".
Acontece que esta parcela é vencida por outra, maior e mais realista, que reconhece que sem os mecanismos paternalistas e assistencialistas o Brasil enfrentaria quase de imediato uma situação de insurgência que levaria a um regime autoritário de esquerda.
Sejamos francos: o Brasil é uma
Mas, esqueçamo-nos por ora da questão militar. Hoje, para produzirmos dependemos da importação de bens de capital e de matérias primas de
Qual o paralelo pode ser traçado para este padrão de comportamento? Certamente não podemos compará-lo ao de nenhuma nação do chamado "primeiro mundo" e, sequer, com promissoras nações do "terceiro mundo". Este é um padrão de comportamento social que é típico de regiões colonizadas. Aconteceu na Índia sob domínio inglês. Aconteceu na África sob os domínios europeus (Inglês, Francês, Espanhol, Português, Italiano e Alemão). Aconteceu na Ásia sob domínios europeus e norte-americano (Camboja/Vietname/Laos sob domínio Francês, China sob "protetorados" Inglês, Francês, Alemão e Norte-Americano (quem não assistiu a "Canhoneira do Yang Tsé"?),
Eu recomendo que a "classe média couro duro" estude um pouco da História Universal para entender que submeter-se incondicionalmente a interesses internacionais não garante futuro ou justiça. Pelo contrário, em todos os lugares onde as "elites" desprezaram seu próprio povo o que resultou disso
Onde nos submetemos aos interesses internacionais? Nossa "classe média couro duro" festejou as privatizações, onde
Onde nos submetemos aos interesses internacionais? Nossa "classe média couro duro" festeja a possibilidade de manter os filhos em caras escolas particulares enquanto governos neo-liberais instituem "maravilhas educacionais" como o "sistema de progressão continuada" (que, na verdade é o equivalente à "aprovação por tempo de serviço"). Nossa "classe média couro duro" fica furiosa sempre que algum mecanismo de democratização do ensino de qualidade se torne mais viável.
Aliás, é bom pararmos a lista por aqui, pois em quase tudo nos submetemos a interesses alienígenas que resultam em ações que fazem com que os "
Mas, além da questão da subserviência de nossa classe média, ainda enfrentamos uma absoluta idiotice em termos de economia. No Brasil, nossa "classe média couro duro" acredita que é possível prosperar indefinidamente com dinheiro alheio. Ficam a cada segundo exaltando a "entrada de capitais", "os investimentos estrangeiros" e a "alta da Bovespa". Ora
- Estado de Espírito:
disappointed
"Uma pátria é o espaço telúrico e moral, cultural e afetivo, onde cada natural se cumprehumana e civicamente. Só nele a sua respiração éplena , o seu instinto sossega, a sua inteligência fulgura, o seu passado tem sentido e o seu presente tem futuro."
Miguel Torga
Por pátria podemos entender a terra natal ou adotada com a qual temos vínculos afetivos, culturais ou históricos. Assim, o patriotismo - entendido como o amor e devoção à pátria - reflete os sentimentos que temos pelos objetos dos referidos vínculos. A confissão de um amor à pátria que se resume aos seus símbolos (bandeiras, hinos) é vazio. É mais uma idolatria: referenciamos objetos deslocados de suas significâncias. Ou pior, expressão de vaidade: queremos ser admirados pelas manifestações externas de um amor e uma virtude apenas aparentes.
Mas também não basta cultuar aspectos históricos. O culto isolado à história - quando se a compreende - nada mais é do que navegar à noite com uma lanterna na popa... e, quando sequer é compreendida, é a manifestação de uma vontade perversa de querer evitar a mudança e o progresso. O mesmo pode-se dizer do culto à cultura.
Assim, da mesma forma que Gregório de Mattos Guerra ponderou em seu soneto:
o patriotismo só tem sentido quando ama-se verdadeira e integralmente a pátria (natal ou adotiva), pois ela sem qualquer de suas partes não é pátria e em qualquer de suas partes ela se manifesta integralmente.O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a partefez todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo.
Em todo o sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte;
E feito em partes todo, em toda a parte
Em qualquer parte sempre fica todo.
O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.
Não se sabendo parte deste todo
Um braço que lhe acharam sendo parte,
Nos diz as partes todas deste todo.
Mas o amor integral não admite parcialidade. Não é possível amar a pátria sem amar seu povo. Não é possível amar seu povo sem importar-se com suas agruras e com as injustiças que se lhe abatem. Não é possível importar-se com as agruras e injustiças que caem sobre o povo sem tomar ação para saná-las.
Aqui a malícia nos proveu com um instrumento poderoso: o cinismo. Muitos afirmam: "eu amo os pobres, mas eles o são por que são vagabundos". É o chamado "amor de lupanar": o sentimento de desejo que se tem por uma marafona, pouco se importando com seu destino logo após o coito. Outros afirmam: "mas os problemas são muitos e eu sou um só". É o "amor onanista": atinge-se o gozo trancado no banheiro, mas quando a possibilidade de concretização efetiva do amor se apresenta, o vigor se esvai... E, finalmente, há aqueles que - auge do cinismo - replicam: "tudo bem, você fala... fala... mas qual é a sua proposta?". É o amor totalitário, aquele que imagina uma relação sado-masoquista entre os "iluminados" e a "plebe". Sim... pois o que se deseja ouvir é alguma divagação autocrática acerca de como "tomando rédeas do poder" pode se proteger/salvar o povo dele mesmo.
Mas, a divagação feita sobre o amor deveria ser absolutamente desnecessária. Afinal o amor pode ser definido como a soma da afeição, compaixão e misericórdia. Não se pode amar um objeto, dado que ele não é passível de compaixão e misericórdia. O "amor" a objetos é definido nas religiões semíticas (judaísmo, cristianismo e islamismo) como idolatria e em todas é um pecado mortal. O amor aplica-se a seres. O amor à pátria resume-se então ao amor às pessoas e seres que a habitam e a uma vontade de que todos estejam em harmonia no território que ocupam. O amor também não pode ser parcial, egoísta (amo quando é conveniente, quando não é, sou indiferente). Novamente sob o ponto de vista das religiões mais praticadas, o amor egoísta é apenas luxúria (um pecado capital).
Assim, neste 7 de setembro, amemos nossa pátria por inteiro.
- Estado de Espírito:
contemplative
Muitos andam reclamando a respeito da postura "anti-ética" do Mercadante. Assim, eu tomo a liberdade de iniciar minhas considerações reproduzindo uma parte do verbete Ética em pt.wikipedia.org:
A ética pode ser interpretada como um termo genérico que designa
aquilo que é freqüentemente descrito como a "ciência da moralidade", seu significado derivado do grego, quer dizer 'Casa da Alma', isto é, suscetível de qualificação do ponto devista do bem e do mal, seja relativamente a determinadasociedade, seja de modo absoluto. Em Filosofia, o comportamento ético é aquele que é considerado bom, e, sobre a bondade, os antigos diziam que: o que é bom para a leoa, não pode ser bom à
gazela . E, o que é bom àgazela , fatalmente não será bom à leoa. Este é umdilema ético típico.Portanto, de investigação filosófica, e devidas subjetividades típicas em si, ao lado da metafísica e da lógica, não pode ser descrita de forma simplista. Desta forma, o objetivo de uma teoria da ética é determinar o que é bom, tanto para o indivíduo como para a sociedade como um todo. Os filósofos antigos adotaram diversas posições na definição do que é bom, sobre como
lidar com as prioridades em conflito dos indivíduosversus o todo, sobre a universalidade dos princípios éticosversus a "ética de situação".Nesta , o que está certo depende das circunstâncias e não de uma qualquer lei geral. E sobre se a bondade é determinada pelos resultados da ação ou pelos meios pelos quais os resultados são alcançados.O homem
vive em sociedade, convive com outroshomens e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral e da Ética. Enfim, a ética é julgamento do caráter moral de uma determinada pessoa. Como Doutrina Filosófica, a Ética é essencialmente especulativa e, a não ser quanto ao seu método analítico,jamais será normativa, característica esta, exclusiva do seu objecto de estudo, a Moral. Portanto, a Ética mostra o que era moralmente aceito na Grécia Antiga possibilitando uma comparação com o que é moralmente aceito hoje na Europa, por exemplo, indicando através da comparação, mudanças no comportamento humano enas regras sociais e suas conseqüências, podendo daí, detectar problemas e/ou indicar caminhos.
Assim, o problema do Mercadante - e de tantos outros, diga-se de passagem - é que ele é ético. O que ocorre é que, simplesmente, ele e seus pares (outros representantes populares, altos funcionários públicos do Executivo e Judiciário, empresários que vivem à margem dos benefícios do Estado et caterva) não nos consideram como parte igual de suas sociedades. Da mesma forma que muitos empresários não consideram os empregados como parte de suas sociedades... Eles são os leões...os outros, as gazelas.
Desta forma, quando um colega é ameaçado, Mercadante e seus pares fazem aquilo que consideram ser melhor para o seu grupo: protegem-no. Do ponto de vista filosófico, ele agiu corretamente. Do ponto de vista ético, ele agiu eticamente.
Então, quem age erroneamente?
São aqueles que aceitam não serem parte da "sociedade do Mercadante". São aqueles que acham natural haver indivíduos acima da lei - e mais - remunerados com dinheiro público. São aqueles que imaginam ser possível permanecer indefinidamente numa sociedade bastante parecida com Roma Imperial: uma meia dúzia de "patrícios" que se organizam de forma mafiosa, uma multidão de escravos (porque quem não tem remuneração para sobreviver é escravo) e uma camada de "cidadãos" que correm o tempo todo para não se transformarem em escravos.
Assim, aqueles que se sentem incomodados com a "falta de ética" do Mercadante, da próxima vez que ouvirem falar numa rebelião no Jaçanã que faz com que mães não consigam tirar seus filhos da escola até as dez da noite ou de um confronto em Paraisópolis, devem se perguntar: "afinal de contas, porque tolero que existam pessoas vivendo desse jeito?". Por que apoio políticos (como o governador Serra, o prefeito Kassab e os deputados e vereadores - especialmente os da "base aliada") que gastam proporcionalmente mais em publicidade do que investem na área da Educação Pública?
No dia em que os brasileiros com capacidade de influir decidirem que já não é possível tolerar um mundo polarizado entre mafiosos e favelados e que já não é possível tolerar uma sociedade onde todo relacionamento vertical (entre indivíduos de classes distintas) é perverso, então as coisas podem mudar.
Só como exemplo: nos EUA o Madoff pegou prisão perpétua (a qual deverá cumprir na cadeia) e o governo está recuperando dados de bancos para responsabilizar outros tantos. No Brasil, além do doleiro e de dois funcionários do Governo do Rio de Janeiro quem foi preso pela retirada ilegal de US$27bilhões (que, descobriu-se depois, desdobra-se em US$50bilhões) no esquema "desmontado" na operação "Farol da Colina"? Ninguém... E o valor monetário é, no mínimo, equivalente a seis anos da Secretaria de Estado de Educação de São Paulo.
Só como outro exemplo: quando o MP e a PF prendem uma empresária por crimes de sonegação fiscal (todos fartamente comprovados), os "cidadãos de bem, indignados com o Mercadante" fazem um abaixo assinado "Liberdade para Tranquesi". Os mesmos que aceitam a truculência policial no Jaçanã, em Paraisópolis e no Jardim Ângela.
Mais um exemplo: quando um governador com laivos de Mussolini aprova uma lei que estimula a delação, os "cidadãos de bem, indignados com o Mercadante" aplaudem. Entrementes, o FHC faz discurso a favor da liberação da maconha usando como argumento a incapacidade do Estado em coibir o consumo de entorpecentes. Faz sentido? Nenhum... Mas enquadra-se na filosofia: "aos amigos a lei, aos inimigos seus rigores". E haja leis rigorosas...
Para o próximo ano, o governo e a "base de apoio" querem ressuscitar a CPMF. A oposição está calada. Dizem que, sem o dinheiro não é possível sustentar os serviços de saúde públicos. O que fazem os "cidadãos de bem descontentes com o Mercadante"? Eles choramingam que não é possível pagar mais um imposto... Mas, quando se fala em moralizar a administração pública, acabar com as "terceirizações marotas"... aí o que vale é o discurso neo-liberal do "Estado pequeno". O único "Estado grande" que aceitam é a teta gorda do BNDES e dos financiamentos a fundo perdido dos bancos estatais, bem como as concessões vergonhosas de serviços públicos a particulares.
Enquanto as coisas ficarem neste estado, tudo que podemos esperar são mais Sarneys e Mercadantes.
- Estado de Espírito:
angry
Hoje, após todo esse tempo, ao invés de pararmos frente à TV para assistirmos algo como a chegada do homem a Marte, temos o desgosto de ver que o mundo ocidental está se tornando cada vez mais igual ao Brasil: desfibrado, desiludido e corrupto. Sintomática é a declaração do presidente Obama de que "os países emergentes tem de se virar, porque os Estados Unidos não voltarão a serem o que já foram". Obama torna-se assim um presidente "anti-Roosevelt" (aquele do New Deal, que tirou o país da "grande recessão de 1930"). O triste é que ele não está sozinho: faz-se acompanhar da maior parte dos líderes da Europa Ocidental.
Também no Brasil o clima é de "bas fond". Em recessão desde 1998 (como conseqüência da desastrosa política liberal do PSDB), vivemos um verdadeiro circo de horrores onde as "atrações" se sucedem: a compra de votos para a emenda das reeleições (que inaugurou o mensalão) e para enterrar as CPIs das privatizações, o mensalão do Lula, os "aloprados" e suas cuecas de couro recheadas de dólares, os escândalos impunes na Câmara e no Senado...
Em algum momento, em meados da década de 1980, decidimos trocar os ideais e os sonhos pela mediocridade do ganho imediato. Viramos todos viciados. Viciados no sucesso imediato. Viciados no prazer imediato. Viciados no consumo desenfreado. E como todos os viciados perdemos a fibra... perdemos a garra... perdemos a decência. Como todos os viciados, trouxemos nosso horizonte de eventos para o intervalo entre um "baque" e outro...
Em algum momento, em meados da década de 1980 substituímos o "self made man", o indivíduo que transforma o mundo pelo seu esforço, o indivíduo que constrói e que cria, por um bando de jovenzinhos portadores de MBAs capengas. Fizemos dessa caterva de yuppies os guardiões do futuro. E eles se tornaram confortáveis no papel de testas de ferro dos mais vís interesses do mundo financeiro. Desempenharam com maestria o papel de "front-ends" num processo inédito de transferência de riqueza que levou à falência até "empresas que eram grandes demais para quebrar". Tornaram possível a transformação da nação mais rica do mundo num imenso pindorama onde o governo "livra a cara" dos ricaços corruptos e incompetentes.
Lembro-me de uma das primeiras disciplinas de meu curso de engenharia: "Introdução à Engenharia" ministrado pelo professor Osvaldo Fadigas. Um banho de otimismo na capacidade do ser humano em construir um futuro melhor para si e para a humanidade. Lembro-me das batalhas travadas no sentido de se construir uma indústria de tecnologia brasileira, moderna e competitiva. Lembro-me de uma época em que houve uma explosão de novas empresas (informática, automação, mecânica fina). Tudo isso foi arrasado pelo discurso "globalizante".
O sistema em que estamos atolados acabou. Não se presta para nada. Não atende às demandas humanas. Não fará falta a ninguém se deixar de existir. É um cadáver que precisa ser enterrado com urgência.
Dentre os citados mais freqüentes encontra-se o Ruy Barbosa, advogado bahiano que é um verdadeiro manancial de textos de teor moralista e civilista. Foi o sr. Ruy abolicionista e republicano, depois ministro da fazenda do presidente Deodoro da Fonseca e foi sua política econômica que redundou na primeira bolha inflacionária brasileira (fato historicamente conhecido como encilhamento) e na primeira ditadura militar do Brasil (na figura de Floriano Peixoto). Foi senador e duas vezes candidato derrotado à presidência da república. Participou diversas vezes de missões diplomáticas do Brasil no exterior. Foi advogado militante. Foi portador de cultura humanista distinta. Desta forma, simpatizando-se ou não com suas posições, não é possível acusá-lo de conformista ou inativo.
Dizer-se indignado com aquilo que se julga estar errado é correto, desde que tal discurso seja acompanhado de ações. Entretanto, a contínua denúncia sem as ações adequadas é estéril, especialmente quando a inação tem a motivação do medo de se perder posição privilegiada. Pior ainda quando a acusação vem lastreada num sistema de moral dupla (explícito ou implícito).
Uma característica invariável dos "SPAMs moralistas" é que eles atacam pessoas mas poupam os fatos. Afinal, os fatos denunciados vem se repetindo por toda nossa história (aliás, alguns, durante toda a história da humanidade) mas só quando o conjunto de protagonistas é conveniente os fatos se tornam nefastos e as ações humanas reprováveis. Tal postura farisaica também não é nova. Ela é documentada nos autos da Inconfidencia Mineira (1789), da Conjuração Bahiana (1798), na Revolução Pernambucana (1817) e, muito mais recentemente, na Revolução Constitucionalista (1932) e no movimento dos "caras pintadas" de 1991/1992. São os "anti-Tomás de Aquino": odeiam os pecadores mas tem alto apreço pelo pecado.
Outra característica invariável é que sempre que se responde aos SPAMs e um diagnóstico mais amplo dos fatos denunciados é apresentado, ponderando causas e conseqüências, a resposta vem na forma: "mas porque você não apresenta uma solução?"
Neste ponto é preciso lembrar aos SPAMers que as personalidades que afirmaram ou afirmam conhecer as soluções para os problemas da humanidade tem sempre o porte de um Hitler, Stalin, Mussolini, Mao, Pol Pot, Fidel Castro, Khomeini... Ninguém que queiramos, seriamente, ouvir ou seguir.
Mas sempre se pode recorrer ao bom senso: se não queremos corruptos no poder, vivendo que estamos em uma democracia representativa, não devemos apoiar ou votar em corruptos. Mais ainda, devemos nos abster de praticar atos de corrupção. Se não queremos conviver com miséria, não podemos nos permitir gerarmos miséria; não devemos ser indiferentes para com a miséria. Se não queremos ser lesados, não devemos lesar aos outros... pois o fato é que só podemos esperar receber aquilo que damos.
Mas creio ter chegado ao cerne da questão: só podemos esperar receber aquilo que damos. Assim, quando financiamos cegamente candidatos com fichas corridas imensas (as quais conhecemos parcial ou completamente há tempos) não podemos esperar desses candidatos comportamento correto quando forem eleitos. O mais que podemos querer é "levar vantagem em alguma coisa", nos moldes canônicos da Lei de Gerson.
Mas a questão é mais densa: não basta apenas apoiar pessoas corretas. Também é preciso exigir ações corretas. Também é preciso agir sempre e a todo instante de forma correta.
A maior parte das pessoas negativas (e os SPAMers em particular) argumenta que num ambiente geralmente corrupto os corretos não sobrevivem. Isto não é verdade. A verdade é que, na medida em que os segmentos influentes da sociedade se rendem à corrupção, esta entra numa espiral que culmina com sua derrocada. Exemplos históricos são profusos. O mais recente é a queda da União Soviética e o contemporâneo (em andamento) é o esfacelamento dos Estados Unidos, comparável à derrocada do Império Romano.
Da mesma forma, na medida em que os segmentos sociais influentes passam a realizar ações positivas, as sociedades florescem.
Mas porque, então, conhecendo história, pessoas esclarecidas optam voluntariamente pelo erro?
Creio que, antes de mais nada, por um sentimento de imunidade: "sou rico e, se comprar o fiscal, vou ficar mais rico ainda". Não levam em consideração que o mundo dá voltas e que o corrompido de hoje pode ser o manda chuva amanhã. E vai cobrar caro as concessões do passado.
Mas também há a vaidade: "cara, sou esperto... dou nó em pingo d'água, comigo ninguém pode". Ou: "ninguém sabe o duro que dei. Tudo consegui por minha capacidade... não tenho culpa que os outros sejam incapazes, incompetentes ou vadios". Normalmente a vaidade sempre vem acompanhada pelo orgulho: "imagine que vou me rebaixar a respeitar as leis..."
E, finalmente, a cobiça: para que deixar para amanhã aquilo que pode se arrebanhar hoje? Para que pagar salário se os empregados precisam se contentar com pouco? Para que gerar empregos se "jogando na bolsa" eu ganho mais dinheiro?
Assim, ao invés de investirem tempo no forward de e-mails improdutivos, recomendo mais atenção às ações corretas.
- Estado de Espírito:
tired - Música:http://www.youtube.com/watch?v=otKS5kyJYxc
Constitution du 24 juin 1793 - Article 35. - Quand le gouvernement viole les droits du peuple, l'insurrection est, pour le peuple et pour chaque portion du peuple, le plus sacré des droits et le plus indispensable des devoirs.
Qual o motivo do assombro? Simples: raramente no Brasil condenam-se ricos por crimes relacionados a contrabando e sonegação fiscal. Mormente se forem enquadrados naquilo que nosso presidente classifica como "gente loira de olhos azuis" e que os norte-americanos, dentro de sua realidade social (até os anos 1980) classificavam como WASPs. Mais raramente ainda as penas são de prisão, quanto mais condenações a décadas de prisão.
Bastou serem os jornais lançados às portas dos assinantes para que as "elites" iniciassem uma verdadeira cruzada de denúncias quanto ao rigor da pena e contra a detenção da apenada. Qualquer idéia à cabeça servia como argumento para "provar" a injustiça da condenação. Desde o estado de saúde da condenada até o argumento de que a condenação foi "política e populista". Personalidades como o presidente da OAB, juízes e editores de jornais saíram à rua em defesa da "liberdade para a senhora Tranquesi". Deu no que deu: menos de vinte e quatro horas de encarceramento.
Mas, sugiro que os fatos sejam analisados mais serenamente.
A condenação dos membros da organização criminosa liderada pela ré e seu irmão é consistente com as provas colhidas nos autos. Não se trata, como muitos quizeram fazer entender, de uma abstenção no recolhimento de tributos. Mais do que isso, não se trata de uma abstenção no pagamento de tributos ocasionada por incapacidade econômica. Os crimes cometidos pela ré envolvem fraude em larga escala, corrupção ativa de funcionários públicos praticada em larga escala, contrabando/descaminho e um grande leque de crimes cambiais. Houve a formação de uma "organização criminosa" o que, perante a Justiça Brasileira é mais grave do que a simples formação de quadrilha.
Agrava a condenação o fato de que, após a atuação da polícia desbaratando as operações no porto de Vitória (ES), a organização criminosa ter deslocado suas atividades para o porto de Itajaí (SC) e continuado a ação criminosa até novo desbarate.
Agrava a condenação o fato dos réus não terem demonstrado em nenhum instante sentimento de culpa ou arrependimento. Outrossim alegaram serem vítimas de perseguição de natureza política. Mas, seja por qual razão for, jamais deram nomes aos bois. Se alguém é perseguido, então há um perseguidor. Quem é o perseguidor?
Alegam os réus em sua defesa terem entrado em acordo com a Receita Federal para o pagamento parcelado dos débitos e também estarem negociando o valor do montante da dívida fiscal. Isto foi tomado pelas "elites" como prova cabal de resssarscimento social dos crimes. Infelizmente não é. Os réus, ao aceitarem o parcelamento das dívidas estão apenas evitando, por um lado a competente execução fiscal e por outro a exposição dos produtos dos delitos (o que ocorreria se resolvessem quitar definitivamente suas contas com o fisco).
Também alegam os réus terem direito a recorrerem da condenação em liberdade. Este foi outro "cavalo de batalha" empregado pelas "elites" em sua indignação pela condenação de gente grã-fina. Sabem que uma sentença definitiva demorará décadas e que, pelo menos no caso da sra. Tranquesi isto corresponde à uma probabilidade extremamente alta de impunidade.
Mas vejamos, se os condenados deste caso tem direito ao recurso em liberdade, porque o senhor Lau Kin Chong e sua esposa não o tem? Se locais como o Standcenter e o Promocenter foram lacrados e tiveram suas atividades interrompidas, qual a razão para o tratamento diferenciado para a Daslu? Reconhece-se aqui o erro do Lau: deveria ter se concentrado exclusivamente em grifes para milionários. Ganharia mais e jamais seria preso...
No caso da sra. Tranquesi, seu estado de saúde debilitado também foi apresentado como motivo para concessão do direito de recorrer em liberdade ou, na pior das hipóteses, em prisão domiciliar. A primeira hipótese foi acatada pelos juízes do STJ. Deveriam os juízes, em face de tal decisão ter extendido sua clemência a todos os detidos em situação semelhante, ordenando solturas imediatas.
Lembremo-nos de que no Brasil há uma enorme quantidade de pessoas detidas sem condenação, aguardando julgamento. São no mais das vezes réus inconfessos em delitos onde não houve flagrante, as provas são circunstanciais e, em muitos casos, não houve violência. Como justificar que o Judiciário estabeleça precedência para réus condenados? Talvez por não estarem estes cidadãos enquadrados na categoria "luliana" de "brancos de olhos azuis"... quase certamente por não serem fornecedores de produtos de suntuário para advogados, políticos, empresários e magistrados...
- Estado de Espírito:
angry
Durante a semana que passou fomos "brilhantemente informados pela mídia" (LOL) que em todo o mundo desenvolvido assomam as manifestações nacionalistas e protecionistas. Esperneiam os articulistas contra o que chamam de "retrocesso" e nos informam que nossas autoridades (diplomáticas, representantes do Executivo incluindo o presidente da República e do Legislativo) pretendem "espernear" nos fóruns internacionais. Os grandes "lumiares do mercado" nos informam que o "nacionalismo voltou a ser um risco" e que estamos na eminência de uma grande "desglobalização".
Antes de mais nada é preciso reconhecer que a propalada "globalização" não trouxe nenhuma vantagem significativa para o mundo. Foi apenas um mecanismo utilizado pelo "mercado" para criar excedentes gigantes de mão de obra o que viabilizou o aviltamento de salários e a desagregação das organizações sindicais e foi um potente mecanismo para concentração de renda. Paralelamente, se em Roma se pacificava a população com a distribuição de pão e a oferta de espetáculos circenses, no mundo globalizado tal pacificação se deu pela possibilidade de consumo a crédito de bens de consumo não duráveis.
Também é preciso reconhecer que os poucos países emergentes que conseguiram avanços sólidos no desenvolvimento social, industrial, científico e tecnológico não foram exatamente os que aceitaram para si o conceito amplo de globalização. Vejamos dois casos:
- O Japão pré-década de 1990: se posicionou como fornecedor global mas impôs barreiras culturais para o ingresso de produtos industrializados (especialmente bens de capital) e serviços provenientes do exterior. A partir do pós-guerra investiu pesadamente em educação e favoreceu a formação de poupança interna. A partir da década de 1990, com a nova geração "aceitanto melhor" os valores ocidentais e inserindo-se num modo de vida menos centrado em produção e poupança o país começou a atravessar crises em sincronismo com os outros países desenvolvidos do Ocidente.
- A Coréia do Sul: se posicionou como fornecedor global de produtos industrializados e, similarmente ao Japão impôs barreiras culturais ao consumo de produtos e serviços provenientes do exterior. Investiu em educação e é protecionista com relação aos seus grandes conglomerados industriais (Hyundai, Sansung, Lg, etc).
Com a transição do governo militar para o ilegítimo governo Sarney (porque o presidente eleito não tomou posse e não houve novas eleições - mesmo que indiretas como rezava a lei - para a escolha de um novo presidente) começou a haver uma quebra de paradigma que ficou escancarada com as primeiras ações do governo Collor: era preciso "globalizar o Brasil a qualquer custo". E assim foi feito. Em menos de cinco anos conseguimos aniquilar todo nosso parque industrial e substituí-lo por meras montadoras (melhor das hipóteses) ou infra-estruturas logísticas (na média dos casos). O ensino público naufragou no meio de políticas demagógicas e irresponsáveis. Centros de excelência em P&D foram completamente sucateados e a universidade pública transformada num balcão de negócios através da proliferação de "fundações universitárias" . Foi estimulado o consumo de bens supérfluos e não duráveis em detrimento da formação de poupança interna. O mercado de trabalho foi desorganizado (sob o que os neo-liberais chamam de "desregulamentação" e "informalidade") e houve uma violenta concentração de renda que andou par e passo com o crescimento das favelas junto aos grandes centros urbanos. Curto e grosso: em vinte anos o Brasil regrediu, em termos de economia e organização social, a padrões típicos das décadas de 1920.
Eu sei que muitos vão estrilar: "ah... mas em 1980 ninguém tinha celular"... Verdade, mas hoje celulares são muito comuns até na Somália... Certamente não são um indicador de riqueza. Outros vão reclamar: "ah... mas agora há a classe mérdia emergente"... e eu respondo: apenas uma questão de paradigma... se vocês dizem que quem tem rendimento individual de US$100,00/mês é classe média... Lembremo-nos que os Portugueses conquistaram o litoral em troca de espelhinos e miçangas e que os índios ficaram felizes da vida achando que "tinham melhorado de vida".
Precisamos urgentemente repensar nossos paradigmas. Inclusive avaliarmos se o atual pacto federativo é realmente interessante. Se chegarmos à conclusão de que não é possível o investimento pesado e sério em educação, na recomposição da infra-estrutura industrial, na recomposição do mercado de trabalho e na formação de poupança interna então qual é o sentido em se manter um país? Não seria melhor começarmos a pensar em cada região cuidar de si conforme suas capacidades e ambições? Estes são alguns dos argumentos apresentados pelos separatistas sulistas e embora o movimento deles seja contaminado por um viés fascista, não há como negar o mérito da argumentação.
- Estado de Espírito:
Bode Nervoso
A citação acima, reproduzida do informativo "Migalhas", insere-se no noticiário diário ao comentar a ação intempestiva do Governo Federal ao doar terras pertencentes à União para o governo do Estado de Roraima como forma de amenizar críticas e evitar vaias na aparição que o presidente da República fará no "Forum Social".
Para as pessoas atentas, porém, a citação tem amplo espectro de uso. Senão vejamos: nos matutinos de hoje (29/01/2009) anuncia-se que o Governo Federal vai expandir os benefícios do programa "Bolsa Família". Não menciona o noticiário a forma escolhida para disponibilizar os recursos financeiros para a implementação da medida. Todavia, a simples notícia se enquadra numa estratégia de propaganda e desinformação. Qual a razão? Simples: a medida anuncia a extensão dos benefícios a famílias com renda mensal "per capita" de até R$137,00. Entretanto, se analizamos a legislação trabalhista brasileira e os atuais perfís de emprego, renda e salário, verificamos que a medida é nula pois não vai beneficiar ninguém que já não possa ser beneficiado.
Quais são, então, os motivos que levam ao investimento em propaganda política vazia?
Antes de mais nada precisamos compreender a conjuntura em que se encontra o Governo Federal e a maior parte dos Governos Estaduais e Municipais. Depois de vinte e cinco anos de desplanejamento e desinvestimento o Brasil retornou à sua vocação econômica de exportador de matérias primas, alimentos e um leque pequeno de produtos de baixa tecnologia. Enquanto durou a "bonança mundial", com países emergentes como a China crescendo ao rítmo de 10% ao ano (ao passo que o Brasil cresce em média menos de 4% ao ano durante o mesmo período) a balança comercial positiva proporcionou uma situação cambial e um saldo de caixa que facultou ao governo financiar-se à taxas de juros exorbitantes,
É evidente que esta lógica mercantilista (dado que baseada na exploração de monopólios "de facto", de concessões governamentais, de vistas grossas para cartéis e oligopólios e fundamentada na troca de bens obtidos através de trabalho sub-assalariado e em alguns casos - freqüentes aliás nos setores de agricultura canavieira e pecuária - escravo) encontrou firmes defensores.
Antes de mais nada o setor financeiro. Para nutrir a fome dos governos por financiamento, foi facultada ao setor financeiro a aplicação de "spreads" absurdos. Assim, em pouco tempo construiu-se uma verdadeira pirâmide financeira. O governo capta dinheiro pagando juros exorbitantes e paralelamente, em função do saldo comercial fortemente positivo, o Real se valoriza frente ao Dólar Americano. O investidor estrangeiro é atraído pela possibilidade de emprestar a título de investimento (livre de muitos impostos) US$1,00 e, ao fim de um ano recuperar algo entre US$1,35 e US$1,45... O investidor nacional pega carona nesta "onda" e também realiza ganhos imensos. E enquanto a balança comercial foi positiva este "esquema Ponzi" floresceu.
Como todo esquema fraudulento, a cooptação de uma parcela das "elites" foi fundamental para evitar sua denúncia e seu combate público. Assim, na medida em que a classe média foi massacrada à extinção, as parcelas favorecidas da população tiveram oportunidade de obter ganhos "imperiais". Afinal, para que investir em produção e desenvolvimento de negócios se, ao emprestar capital disponível ao governo, conseguem-se aumentos anuais de patrimônio algumas vezes da ordem de 300%?
Assim, dos dois parágrafos acima identificamos outros importantes apoiadores das políticas "neo-liberais" que vem sendo implementadas sucessivamente após o fim dos governos militares e, de forma particularmente intensa, após o fim do governo do presidente José Sarney: os rendatários, categoria social que nos remete à época do Império e que eram retratados por Machado de Assis invariavelmente como "pessoas que viviam de rendas".
Mas há ainda uma importante parcela que se constitui em pilar para o atual governo: a elite do funcionalismo público. Esta forma uma verdadeira "corte de Versailles" em torno de um governo autocrata. São as "cortesãs, as Madames de Pompadour de nossa República. Consideram correto receberem vantagens, privilégios e benefícios discricionários (muitas vezes transmitidos hereditariamente como atestam escândalos recentemente revelados) ao passo que não veêm injustiça nas políticas trabalhistas, nos baixos salários e no surrupio dos direitos praticados contra o restante da população.
E, finalmente mas não menos importantes para a manutenção do "status quo", estão os políticos. Num país em que o público e o privado se mesclam nossos políticos (salvo raras e intermitentes - porque há políticos que de quando em vez militam civismo mas tem recaídas periódicas no corporativismo - excessões) atuam como líderes tribais. No Legislativo apenas referendam as determinações das "altas eferas do poder" e no Executivo tratam o governo como negócio de família.
Assim, temos uma elite no poder que administra um país em moldes tão ou mais arcaicos do que o do Segundo Reinado (1840-1889): com uma visão de "nação agrária" (ou, na melhor das hipóteses, exportadora de minérios), baseada no "elemento servil" (sim, porque a disseminação do "emprego informal", o salário mínimo, a exclusão ao acesso aos serviços básicos e aos direitos de cidadania remetem o cidadão à condição de servitude ou escravidão) e fundada nos conceitos de privilégios como pode ser atestado nos incontáveis casos de nepotismo no serviço público e nos não menos numerosos casos de favorecimentos ilegais nos relacionamentos entre Poder Público e iniciativa privada.
Ocorre que este tipo de gestão e de visão nacionais somente se sustenta enquanto o tripé contituído por elites econômicas, políticos e alto funcionalismo público tiver seus interesses garantidos.
Para tanto é necessário que haja um mínimo de paz e ordem social. É aí que entra a tal da "propaganda oficial". Ë preciso manter o otimismo do populacho ao mesmo tempo em que se mostra claramente que a alternativa ao conformismo é a chibata (no caso, a fome). Assim, anuncia-se a expansão de um plano assistencialista que oferece dinheiro em troca de nada. Plano maquiavélico aliás, pois trata de um dinheiro que não é, de forma alguma, convertido em educação, infra-estrutura ou incentivo ao desenvolvimento. Assim condena-se os beneficiários à dependência eterna do benefício. Parece parte da estratégia de Hassan-i Sabbah para controlar seus hashshashins conforme a citação: (The term Hashshashin, a name given to them by their Arab enemies, was derived from the Arabic "haššāšīn" (حشّاشين, "hashish user"). It also means those who produce hashish, which the assassins are alleged to have ingested prior to their attacks
Este anúncio de "expansão ao assistencialismo" tem a finalidade de manter a situação calma enquanto as elites avaliam os estragos que a atual crise mundial vai causar aos seus patrimônios. Em 1929, a crise desembocou na ditadura de Getúlio Vargas. Em 1964 no golpe militar e no ciclo de governos militares. Aonde iremos desta vez? Quem será o bode espiatório do momento? Algumas possibilidades são tão óbvias que se tornam tentadoras mas...
- Estado de Espírito:
bode indignado !!!
